Justiça

Julgamento de Claudia Hoeckler: amiga da acusada foi a sétima testemunha ouvida pelo Tribunal do Júri

  • Jardel Martinazzo
  • 28/08/2025 18:10
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No final da tarde desta quinta-feira (28), a sétima testemunha do julgamento de Claudia Tavares Hoeckler — acusada de assassinar o marido, Valdemir Hoeckler, e ocultar o corpo em um freezer no interior de Lacerdópolis, em novembro de 2022 — foi ouvida no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal. O depoimento começou por volta das 16h40 e se estendeu até 17h30. O júri teve início às 9h da manhã.

A testemunha, amiga de Claudia, relatou a rotina da ré, que trabalhava cuidando de crianças, fazendo faxinas, atuando em uma escola e também em atividades na agricultura. Segundo ela, Valdemir era ciumento e controlador: Claudia precisava ter cuidado com os assuntos tratados em casa, sendo necessário um “combinado” para evitar que ele ouvisse conversas.

A amiga contou ainda que Valdemir chegou a enviar uma mensagem perguntando sobre o que as duas conversavam. Relatou que Claudia tinha horários determinados pelo marido para todas as atividades e que era obrigada a aceitar a presença da ex-esposa de Valdemir em sua casa, inclusive preparando refeições para ela.

A testemunha mencionou episódios de violência física e psicológica. Disse que Claudia confidenciou ter passado uma noite inteira apanhando e que usava roupas compridas para esconder as marcas. Citou também que, após a filha do casal ter ido a um café colonial usando saia curta, Valdemir teria cortado a peça no dia seguinte. Segundo ela, a filha tinha ainda horários limitados para usar o celular.

A defesa destacou a existência de um boletim de ocorrência por ameaça, registrado em 2019, no qual consta depoimento da filha do casal. Ressaltou também que Valdemir não arcava com os custos da faculdade dela. A testemunha relatou que, em uma ocasião, Claudia pegou dinheiro escondido para pagar os estudos da filha e, ao ser descoberta, discutiu com o marido — fato que, segundo a defesa, teria ocorrido no mesmo dia do registro do BO.

A amiga afirmou que Claudia era impedida de usar roupas diferentes das habituais. Relembrou um episódio no litoral, quando a ré vestiu algo mais leve e foi repreendida por Valdemir. Narrou ainda que, em uma ocasião, Claudia teria sido agredida e se refugiado por dois dias na casa de uma mulher para quem trabalhava. Questionada sobre o motivo de não ter revelado esse fato anteriormente à Polícia, disse que tinha medo.

Segundo a testemunha, o ciúme de Valdemir era excessivo a ponto de não permitir que Claudia tivesse amizades nem mesmo com outras mulheres, insinuando que isso seria prova de homossexualidade. Relatou ainda que ele demonstrava ciúmes da própria relação de Claudia com a filha.

Durante o depoimento, a acusação apresentou um áudio em que Valdemir não demonstrava comportamento de ciúmes. No conteúdo, ele aconselhava a testemunha dizendo que não era fácil, pois já havia passado por algo semelhante com a filha. O Ministério Público usou esse material para sustentar que Valdemir mantinha vínculo afetivo com a filha.

A testemunha acrescentou que Claudia aparentava estar triste no dia do casamento. Em contraponto, a acusação apresentou fotos em que a ré aparecia sorrindo e beijando Valdemir, o que contraria a versão apresentada pela amiga.

 

 

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